Comecei a escrever o próximo artigo e percebi que ainda não me apresentei.
Meu nome é Claire. Nasci em Porto Alegre e moro nos Estados Unidos há mais de 20 anos. Isso me dá acesso direto a muita coisa que ainda demora a chegar ao Brasil: livros recém-lançados, podcasts, eventos e comunidades com alguns dos principais nomes da área.
Minha formação mistura saúde e linguagem. Cursei Nutrição por alguns anos, me formei em Letras (Português/Inglês) e fiz mestrado em Linguística Aplicada. Talvez por isso eu goste tanto de pesquisar, organizar ideias e explicar assuntos complexos de forma simples.
O meu interesse pela escrita veio de família. Cresci cercada de livros e de escritores. Meus dois avôs publicaram livros, e minha avó era poetisa. Meu pai era jornalista e meu irmão é escritor. Eu segui um caminho um pouco diferente, mas não muito, trabalhando por décadas com idiomas, tradução e ensino. Agora escrevo no Substack e reviso cada texto com o mesmo cuidado de quem leva a sério o que publica, embora ainda não tenha publicado nenhum livro (me aguardem).
O meu interesse por saúde não começou agora. Eu sempre gostei de me exercitar quando era jovem, e pratiquei artes marciais por cerca de dez anos. Mantinha uma alimentação equilibrada, e nunca gostei de doces ou de beber muito álcool.
Mas, como acontece com muita gente, a vida saiu do eixo em alguns momentos. Umas rotinas puxadas no trabalho, um sono não muito bom, viagens, imprevistos. Minha saúde, claro, não estava lá essas coisas.
Em 2009, eu li o ótimo livro O Plano Primal, do Mark Sisson. Ele me lembrou como é bom dormir bem à noite e acordar com energia. Comecei com pequenas mudanças e fui observando os efeitos no meu corpo. Passei a caminhar mais, a me expor mais ao sol, a pôr o celular no modo avião quando eu dormia, a evitar comer quando não estivesse com fome, e a ouvir o que meu corpo estava me dizendo e, aos poucos, fui sentindo diferenças na minha disposição.
Comecei a me interessar por biohacking, e desde então, ele virou parte da minha rotina. Já testei de tudo: o café com manteiga do Dave Asprey, protocolos de jejum, gadgets estranhos e suplementos que nem chegaram ao mercado. Tudo isso pra ver se eu acordava super-humana ou só com dor de cabeça, e, felizmente, a maioria desses experimentos teve resultados positivos e me ajudou a conhecer meu corpo muito melhor.
Na minha primeira conferência de biohacking, em 2015, fui sozinha, achando que só haveria atletas e especialistas. Mas o que encontrei foram pessoas comuns, de todas as idades, buscando exatamente o que eu buscava: viver melhor.
Faço parte, há anos, de vários grupos privados de estudo e comunidades, como o Upgrade Collective (Dave Asprey), Longevity (Nathalie Niddam), Forever Strong (Dra. Gabrielle Lyon), Thermalist (Dra. Susanna Søberg), Nutrição Ancestral/Clube de Leitura (Prof. Henrique Autran), entre muitos outros. Nessas comunidades, aprendo diariamente com pessoas de todo o mundo, trocando ideias e compartilhando descobertas.
Gosto de medir, acompanhar e comparar os resultados dos meus testes. Faço testes genéticos, análises de microbiota, testo suplementos, faço exames frequentes de sangue e monitoro meu sono há quase uma década com o Oura Ring.
Frequentemente realizo testes metabólicos que medem a idade biológica. Os dados desses experimentos me ajudaram a ajustar meus hábitos e a enxergar, na prática, o impacto das minhas escolhas diárias.
Para quem gosta de números:
Meus telômeros, aos 49 anos, indicaram 42. Aos 50, indicaram 351
Minha idade biológica em 2026 é 18 anos menor que a cronológica 2
Outro teste mostrou que envelheço 0,78 anos a cada ano vivido — 18% mais devagar que a média 3
Meus níveis de NAD intracelular foram de 29,2 para 50,7 em cinco meses.
Eu sei que isso pode soar exagerado. Mas, para mim, biohacking é, antes de tudo, curiosidade aplicada. Experimentar é tão divertido quanto os resultados que obtenho. Não tenho nenhum problema em envelhecer. Não uso maquiagem, e jamais fiz nenhum procedimento estético.

Conhecer a teoria não significa viver tudo à risca. Eu não faço tudo “certo”. Até os 40 anos, cometi alguns excessos, e nem protetor solar eu usava! Ainda hoje tenho fases de sedentarismo, assisto a mais streamings do que deveria, algumas vezes como sem estar com fome, e uso o celular antes de dormir.
Cada pessoa tem suas razões para agir ou não agir, e cada um faz as escolhas que pode no momento. Mas eu faço uns 78,5% do que prego. ;-) Também evito assistir a notícias sobre política, crimes, desastres ou fofocas. É a minha estratégia de sobrevivência. Prefiro focar no que posso controlar.
Mas tento dormir e acordar no mesmo horário, evito alimentos processados, tenho a sorte de morar em um lugar com muita paz e natureza e, principalmente, sou muito grata por tudo o que tenho e tento manter o bom humor mesmo diante das dificuldades.
Acredito que isso faz toda a diferença.
Se você achou tudo isso muito estranho, ou muito legal, mas está com a cabeça cheia de perguntas, me deixa saber nos comentários.
Teloyears foi uma empresa fundada por Elizabeth Blackburn, que, em 2009, recebeu o Prêmio Nobel pela pesquisa sobre telômeros. Esse teste media o comprimento dos telômeros, que são as capas protetoras nas extremidades dos cromossomos.
O teste OMICm Age é uma medida precisa da idade biológica desenvolvida pela TruDiagnostic e pela Harvard University. O algoritmo leva em conta o impacto do estilo de vida, do ambiente e da genética no envelhecimento, sendo a fórmula matemática mais precisa já desenvolvida para essa medição.
DunedinPACE (TruDiagnostic): Avalia a velocidade do envelhecimento biológico por meio da análise da metilação do DNA. Um valor inferior a 1 indica um envelhecimento mais lento do que o tempo cronológico.



