Sabe quando você respira mais fundo, caminha um pouco na natureza, janta mais cedo e tenta dormir e acordar em horários parecidos todos os dias?
Talvez você não chame isso de biohacking, mas essas pequenas escolhas já são, na prática, técnicas de biohacking.
Biohacking, pra mim, é basicamente autoexperimentação guiada pela curiosidade científica. Você testa mudanças pequenas até entender o que realmente funciona pro seu corpo e pra sua mente e, assim, viver melhor e, com sorte, por mais tempo também.
Você pode notar que esse biohacking do qual estou falando não tem nada a ver com implantar dispositivos sob a pele ou no cérebro para controlar aparelhos eletrônicos, nem com tomar injeções de hormônios para desenvolver a visão noturna, ou coisas desse tipo. Isso já é possível e acontece há muitas décadas, mas não me refiro a esse tipo de intervenção.
Eu me considero uma biohacker desde 2009, quando comecei a ler sobre o assunto e decidi me alimentar melhor, meditar de vez em quando, me movimentar mais, ter mais contato com a natureza e não dormir muito tarde, entre outras coisas. O início é simples assim. Quando o sono melhora, o resto costuma se ajustar sozinho, e é aí que a vontade de ir mais fundo aparece. O objetivo é se sentir bem na maior parte do tempo, sem aquela cobrança de perfeição que só gera frustração.
Antes de pensar em equipamentos ou métodos avançados, vale notar quantos biohacks simples e gratuitos já estão ao seu alcance. Isso não quer dizer que aparelhos e técnicas mais elaboradas não tenham seu lugar, quando fazem sentido. Em locais onde não há muito sol, por exemplo, algumas pessoas usam lâmpadas especiais e tomam suplementos de vitamina D. Quando não dá pra ir à academia por falta de tempo ou dinheiro, ou treinar ao ar livre por causa do clima, ou simplesmente porque não tem espaço, ainda existem formas de otimizar o movimento em casa.
Foi mais ou menos assim que comecei, só que do jeito mais básico possível. Eu trabalhava no turno da noite em um restaurante e, quando saí daquele emprego, percebi o quanto minha saúde tinha sido afetada. Passei a jantar por volta das 7 da noite e a dormir às 10h. Pulava o café da manhã ou a janta uma vez por semana, pegava sol de manhã e comecei a experimentar banhos frios. É assim que se começa, um hack pequeno de cada vez.
Essa mesma lógica vale pra uma dor de cabeça ou pra uma noite mal dormida. Em vez de recorrer imediatamente a analgésicos ou a outros medicamentos, que podem ter contraindicações e efeitos adversos, você explora primeiro soluções naturais e técnicas alternativas. Testar soluções naturais primeiro costuma ser um caminho melhor do que sair colecionando caixinhas de comprimidos.
Um biohacker aprende tudo isso e vai testando em si mesmo, até descobrir o que funciona melhor para o seu organismo.
Mas lembre-se de que cada pessoa é única, e algo que funciona muito bem para mim pode ter um efeito bem diferente em você. E tudo bem. Aos poucos vamos nos conhecendo e ajustando as coisas até achar o que funciona.
Isso vale especialmente pra movimento e comida, dois pilares básicos que eu sempre acabo negligenciando quando a vida fica corrida. Algumas técnicas ajudam o corpo a ficar mais forte e resistente, como o treino intervalado de alta intensidade (HIIT), que melhora a resistência cardiovascular e a força muscular. Aliás, preciso voltar a fazer uns HIITs. Faz muito tempo que estou procrastinando. Levantar peso algumas vezes por semana também é fundamental, porque, como diz a Dra. Gabrielle Lyon, o músculo é o órgão da longevidade.
A comida segue esse mesmo critério. Em futuras conversas por aqui, vou explicar por que reduzir o consumo de alimentos processados, de carboidratos refinados e de açúcar simples faz tanta diferença. Gorduras de qualidade e proteína suficiente, de forma bem direta, ajudam a perder gordura, ganhar massa muscular e mexem com o humor e a cabeça também.
Seu corpo prefere um bom prato de comida de verdade a qualquer invenção cor-de-neon que pisca na prateleira do mercado.
Em alguns casos, pode ser útil considerar suplementos alimentares e nutrientes específicos, como colágeno ou creatina, para auxiliar na recuperação muscular e articular. Mas o uso de suplementos deve ser avaliado individualmente e, de preferência, com acompanhamento profissional, já que as necessidades variam de pessoa para pessoa. No meu caso, a lista muda toda vez que saem resultados de exames novos: hoje é um punhado pequeno, com coisas como CoQ10 e ômega-3, escolhidas porque um número específico pediu, não porque estão na moda. Algumas vitaminas também podem ser necessárias, pois muitos alimentos de hoje em dia foram modificados e nem sempre são tão completos quanto eram na época dos nossos avós.
Suplementos podem ser úteis, mas não existe cápsula milagrosa que substitua o feijão com arroz (literal ou metafórico).
Recovery também importa, e aqui vai uma confissão um pouco constrangedora: tenho em casa uma manta térmica infravermelha, vários painéis de luz vermelha e mais alguns aparelhos que aqui chamamos de “biohackers toys”. Uso a maioria deles por duas semanas seguidas e depois esqueço de todos por cerca de dois meses. Quando uso de verdade, sinto a diferença no corpo. Quando não uso, eles ficam ali parados, tão bonitos e caros, e é exatamente nesses períodos de esquecimento que eu sinto a falta. Porque não adianta se achar uma máquina na academia se, no resto do dia, o corpo anda mais travado que gaveta de escritório.
Biohacking também não é só sobre o corpo. Meditação, terapia, diário de gratidão, ou seja qual for o formato, tudo isso conta e, sinceramente, essa é a minha parte favorita de escrever, por ser a que eu menos consigo seguir na prática. Se eu conseguir te convencer de que isso importa enquanto ainda pulo metade das minhas próprias meditações, isso já diz bastante sobre o quanto essa prática toda é pra ser feita sem culpa.
Para ajudar a organizar algumas ideias centrais deste texto, preparei dois infográficos.
Este aqui e outro abaixo que você pode ver online ou baixar.
Infográfico 2 online → Biohacking
Juntos, vamos explorar essas estratégias e muitas outras, pra você escolher o que faz sentido pra sua vida e começar a praticar o que quiser e puder o quanto antes. Acredito que dá pra viver além dos 100 anos com alegria e sem tantas dores ou problemas cognitivos. Venha explorar essas maluquices legais comigo.1
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Se quiser se aprofundar mais no assunto, dê uma olhada nesses dois artigos:
Sempre que for adotar mudanças profundas na alimentação, iniciar o uso de suplementos ou experimentar técnicas menos convencionais, é recomendável buscar a orientação de um profissional de saúde qualificado para garantir que as escolhas sejam seguras e adequadas ao seu caso.








Adorei, Claire. As vezes achamos que precisamos de muito, mas o simples é poderoso e faz total diferença!!!!