Oi! Olha só, no dia 27 de setembro, fiz a primeira Live da minha vida! Foi em inglês, aqui no Substack, e eu estava muito nervosa. Mas fingi que não estava. Foi a primeira vez que apareci em um vídeo online, e olha que eu estou nas redes sociais desde 2003. Tive uma conversa bem legal com o Mike Searles sobre longevidade, hábitos e biohacking.
Para uma primeira vez, acho que me saí bem. Não havia roteiro e eu não tinha a mínima ideia do que ele ia me perguntar. A maioria das minhas respostas foi boa, mas ele me disse que algumas talvez tenham sido longas demais. E algumas me fizeram pensar: “Eu devia ter explicado isso de outro jeito.”
Então, resolvi trazer pra você uma versão em português, por escrito, de três perguntas que fizeram parte da Live. As respostas aqui estão mais lapidadas e completas do que as originais.

Como você se interessou por biohacking?
Bom, eu sempre gostei de assuntos relacionados à saúde e à ciência. Em 1991, eu já estava na faculdade estudando Nutrição. Depois disso, segui por um caminho que não tinha nada a ver com saúde, muito menos com biohacking. Fiz Letras Português/Inglês, virei professora de ensino médio por um tempo, e depois fiz mestrado em Linguística Aplicada.
Claro que, durante todo esse tempo, eu estava tentando levar uma vida relativamente saudável e aprendendo tudo o que podia. Só que naquela época eu estava nos meus 20 e 30 anos, então eu estudava, trabalhava, viajava e também fazia festa. Nos fins de semana, eu dormia durante o dia, tipo das 8 da manhã até uma da tarde.
Eu tentava fazer a maioria das coisas “certas” e, às vezes, fazia algumas escolhas um pouco menos saudáveis. Mas é assim que a vida é.
Em 2005, eu vim para os Estados Unidos e comecei a dar aulas de português brasileiro para os gringos aqui. Algum tempo depois, trabalhei em um restaurante como gerente do turno no dia, e um dia me perguntaram: “Você pode trabalhar no turno da noite?” Eu disse, “Tudo bem, posso sim. Eu já não durmo muito à noite mesmo.” Acontece que trabalhar das 10 da noite às 5 da manhã foi uma péssima ideia. Um ano depois, comecei a sentir as consequências daquele horário invertido.
Por volta de 2009, eu estava sempre cansada e comecei a pesquisar o que fazer. Li um livro chamado The Primal Blueprint, do Mark Sisson. O livro me fez querer ter melhores hábitos, me movimentar mais, comer melhor e dormir melhor. Assim, entrei no mundo do biohacking. A partir dali, comecei a ler e pesquisar tudo o que podia sobre saúde, longevidade e como me tornar uma versão melhor de mim mesma.
Qual prática de biohacking você considera mais importante para favorecer a longevidade?
Manejar o estresse é importante. Eu tento não me preocupar demais com as coisas, principalmente com as que estão fora do meu controle.
Também não assisto ao noticiário na TV. Eu sempre sei tudo o que está acontecendo no mundo, pois se for importante, alguém vai postar em algum lugar ou alguém da família vai comentar no WhatsApp. Tenho assinatura do The New York Times, e escolho o que quero ler. Mas abandonei há décadas as notícias da TV, que quase sempre são negativas.
Nos últimos anos, eu moro no meio do mato (modo de dizer, mas meio que é verdade), e sem vizinhos por perto. E se não morasse aqui, faria o possível para passar bastante tempo ao ar livre, perto da natureza. Fazendo isso, mantenho o meu nível de estresse bem baixo. Nessa hora, na Live, o Mike disse: “Viva no meio do mato, e evite os vizinhos.” É bem por aí, Mike!
Eu também não como muito fast food. Encaro uma pizza de vez em quando, um cheeseburger, mas é coisa de uma vez por mês. Estou tão acostumada a ter bons hábitos alimentares que não sinto falta dos snacks e junk food que eu gostava em algumas fases da minha vida.
Normalmente não bebo, mas não tenho nada contra. Se estiver calor e tiver uma cerveja gelada por perto, me ofereça. Mas meio que parei de tomar vinho, e só bebo álcool em ocasiões muito especiais.
Qual seria a primeira dica que você daria para alguém que quer viver mais e melhor?
Antes de acrescentar qualquer coisa à sua rotina, comece pelo básico. Preste atenção à qualidade da água que você bebe. Se você tem alguma preocupação com a água da sua região, descubra o que tem nela e escolha um filtro adequado, se for necessário. Eu uso um filtro mesmo tendo uma água de poço boa aqui. É uma daquelas pequenas coisas que podemos fazer sem virar nossa vida de cabeça para baixo.
Quando puder, passe algum tempo longe do trânsito, do barulho e do estresse geral da vida na cidade. Caminhe em um parque, mesmo que seja só nos fins de semana. E a conexão, o carinho e o tempo com pessoas ou animais que você ama podem ser calmantes. Se você tem animais de estimação, abrace seu gato, abrace seu cachorro. Abrace a pessoa que você ama, seus filhos, seus amigos!
Pense no que ajuda você a desacelerar antes de dormir. Pode ser uma comédia leve ou um livro, em vez de algo muito intenso. Eu gosto de assistir a séries de true crime antes de dormir quase todas as noites. Não estou dizendo para você fazer isso, mas elas me acalmam.🔪
Se você tentar o básico e ainda assim não funcionar, converse comigo, e eu te digo o que mais você pode tentar. Talvez a melhor solução seja fazer o que os bisavós e avós da maioria de nós faziam: comer comida de verdade, se movimentar todos os dias e se conectar com outras pessoas.
Acho que todos nós sabemos o que fazer. Mas a gente não faz, por uma razão ou outra.
Então, antes de começar a acrescentar coisas, fique nos protocolos mais simples. O biohacking consiste não só em adotar hábitos melhores, mas também em parar ou reduzir os menos bons. Eu não diria para alguém começar a tomar suplementos, fazer testes ou comprar gadgets antes de ter testado quase todas as técnicas gratuitas disponíveis.

Acho que essas três perguntas dão uma boa ideia de como eu encaro a saúde e a longevidade. E mostra como o Mike foi um bom entrevistador.
Eu não planejei me tornar uma biohacker. Cheguei até aqui sendo curiosa, aprendendo, errando, ajustando, prestando atenção no que funcionava para mim e resolvendo um problema de cada vez. É o que continuo fazendo hoje, e só paro de testar quando encontro algo que eu sinta que está beneficiando meu corpo e minha mente naquele momento da minha vida.
Fazer essa Live reforçou a ideia de que eu tenho muito mais para falar sobre tudo isso do que cabe em uma conversa de meia hora. Vou continuar colocando tudo por escrito, como venho fazendo, mas agora gostei da experiência de falar em vídeo, então logo virão mais alguns por aí.

Se você tiver interesse, e entender inglês, pode assistir à Live clicando abaixo:



