Um estudo analisou o sangue de cerca de 7.500 pessoas pra comparar dietas e o envelhecimento biológico. O outro acompanhou quase 65 mil adultos com um aparelho que mede atividade física, pra descobrir o que pesa mais: quantos passos você dá ou a velocidade com que você anda.

Tem mais de um jeito de comer bem pra envelhecer mais devagar
O estudo é do DZNE, um centro alemão de pesquisa sobre doenças do cérebro. Os pesquisadores analisaram dados de dois grupos de pessoas na Alemanha. Compararam a alimentação de cada um com dez dietas consideradas saudáveis, entre elas a mediterrânea, a nórdica, a DASH e as baseadas em plantas, e estimaram o envelhecimento biológico1 por meio de mudanças no DNA.
Os pesquisadores analisaram aproximadamente 850 mil pontos do DNA e utilizaram três ferramentas, conhecidas como relógios epigenéticos, para interpretar esses sinais. Note que que essa análise não prevê a longevidade de cada indivíduo, ela apenas investiga o processo de envelhecimento do organismo.
As dez dietas ficaram associadas a um envelhecimento biológico mais lento. Mais de 70% dos processos biológicos envolvidos eram os mesmos em todas elas, como os ligados ao metabolismo e à comunicação entre as células. Entre quem fuma, essa associação apareceu ainda mais forte, embora a alimentação dessas pessoas não fosse melhor do que a das outras. Os autores não sabem o motivo, mas acham que é porque quem fuma tenha mais a ganhar com uma boa alimentação, devido aos danos do cigarro. Não se esqueça de que fumar continua fazendo mal à saúde.
Agora o outro lado. Ninguém mudou a alimentação de ninguém: os pesquisadores só compararam o que as pessoas já comiam com as marcas no DNA. Dá pra dizer que existe uma ligação, mas não que a comida causou a diferença. As diferenças entre as dietas existem, mas os próprios autores dizem que são pequenas.
E quem estava entre os 25% que mais seguiam uma dieta não necessariamente estava nesse grupo nas outras. Ah, e os dois grupos são da Alemanha, então não dá pra saber se os resultados seriam os mesmos em outros países.
Foi legal ver que nenhuma dieta saiu vencedora. A gente vive ouvindo que tem que ser a mediterrânea, a DASH ou a vegetariana, ou seja lá qual for a da moda, mas o estudo abriu espaço pra mais de um caminho. Não é que qualquer tipo de alimentação sirva, mas dá pra comer bem levando em conta o gosto, a cultura e o orçamento de cada um. Isso tira um peso dos ombros de muita gente.
Fonte: DZNE (Centro Alemão de Doenças Neurodegenerativas), publicado na Nature Communications, em 29 de agosto de 2026.
Uma alimentação saudável retarda o envelhecimento biológico

Andar mais rápido compensa quando você dá poucos passos
Esse estudo é da Monash University e da University of Sydney, na Austrália. Os pesquisadores analisaram 64.743 adultos do Reino Unido2, com idade média de cerca de 61 anos, e observaram duas coisas: o número de passos por dia e a cadência3 nos 30 minutos mais rápidos do dia. Cada pessoa usou um aparelho de monitoramento por sete dias, entre 2013 e 2015. Depois, acompanharam quem morreu nos anos seguintes, e registraram 1.697 mortes.
Entre os que tiveram menos de 5.000 passos por dia, quem andou rápido (80 passos por minuto ou mais) teve um risco de morte parecido com o de quem deu de 5.000 a 7.500 passos num ritmo de uns 60 por minuto. No geral, o menor risco ficou entre quem deu de 7.500 a 10.000 passos por dia. Nas combinações mais favoráveis, o risco relativo de morte foi até 43% menor em comparação com o grupo de referência. Mas isso não significa 43% mais anos de vida.
Os pesquisadores também lembram que a meta de 10 mil passos veio de uma campanha de marketing de um pedômetro japonês, e não da ciência. Aliás, mencionei essa história no artigo “A cadeira desfaz o treino”?
Isso também é uma boa notícia pra quem não consegue andar rápido. Aliás, eu sou uma dessas. Deve ser porque tenho pernas curtas, e além disso, onde é o incêndio? Mas enfim, acumular mais passos em um ritmo lento também foi associado a um menor risco de morte. A ideia não é trocar uma meta rígida de passos por uma de velocidade, mas encontrar uma combinação possível pra cada pessoa.
O mesmo ritmo pode ser confortável pra uma pessoa e muito exigente pra outra. Pra perceber o esforço, observe a respiração: num ritmo rápido, você respira mais forte e ainda consegue falar frases curtas, mas não consegue cantar com conforto. Pra medir a cadência, conte os passos por 30 segundos e multiplique por 2.
Mas é um estudo observacional: mostra uma associação, não prova causa e efeito. Quem anda rápido pode simplesmente já ser mais saudável. Os sete dias com o aparelho também podem não representar a rotina da pessoa, e os participantes eram todos adultos de meia-idade ou mais velhos do Reino Unido.
Testei minha caminhada em um ritmo normal, que pra mim é devagar, e registrei 100 passos por minuto, acima dos 80 do estudo. Mas não senti que estava andando rápido. Passos curtos podem aumentar a contagem de passos sem necessariamente aumentar a velocidade da caminhada, então a contagem por si só não é suficiente para determinar a intensidade. A respiração é um indicador mais confiável.
E você, é do time que anda rápido ou devagar? Usa algum rastreador? E quantos passos acha que dá num dia normal? Eu monitoro com meu Apple Watch e tive uma média de 5.800 passos nos últimos 30 dias.
Fonte: Monash University e University of Sydney, publicado no British Journal of Sports Medicine, em 8 de setembro de 2026.
Passos ajudam a reduzir o risco de morte
Em inglês: Divulgação da pesquisa pela Monash University.
Se estes achados foram úteis pra você, talvez sejam úteis pra outra pessoa também.
O envelhecimento biológico é o processo de mudanças no organismo ao longo do tempo. Neste estudo, ele foi estimado por meio de marcas químicas no DNA, usadas como indicadores desse processo, que pode não acompanhar a idade cronológica.
A reportagem do Correio Braziliense (o link que adicionei) menciona o grupo inicial de 103.684 participantes que usaram rastreadores de atividade. A análise de mortalidade por qualquer causa incluiu 64.743 deles.
Cadência é o número de passos que você dá por minuto.


