O primeiro estudo é sobre cognição em idosos, e foi publicado essa semana. O outro diz que dormir pouco ou demais pode acelerar o envelhecimento biológico.

Mudanças no estilo de vida de idosos melhoraram a cognição em estudo latino-americano
O LatAm-FINGERS1 acompanhou 1.065 pessoas mais velhas com risco de declínio cognitivo, e foi realizado em 12 centros de pesquisa de 11 países da América Latina, incluindo o Brasil.
Os participantes foram distribuídos aleatoriamente entre uma intervenção estruturada e uma versão mais leve, baseada em orientações gerais de saúde.
Durante dois anos, o grupo de intervenção estruturada recebeu:
Exercícios supervisionados, adaptados ao contexto local — incluindo atividades como salsa e tango
Orientação alimentar baseada em uma versão adaptada da dieta MIND2
Treino cognitivo computadorizado
Monitoramento de fatores cardiovasculares
Apoio contínuo e 38 encontros em grupo, para conexão social e responsabilização
O grupo de comparação recebeu recomendações gerais e teve quatro encontros em grupo ao longo dos dois anos.
Ao fim do estudo, a intervenção mais estruturada produziu uma melhora 55% maior em uma medida composta de cognição global, além de ganhos maiores em memória, funções executivas e velocidade de processamento.
Esse foi um estudo randomizado, o que reduz a chance de que diferenças prévias entre os participantes, como condição de saúde, renda, escolaridade ou motivação, expliquem os resultados. Ele oferece evidências mais sólidas sobre os efeitos da intervenção do que os estudos observacionais.
Como sul-americana, é bem legal ver um estudo sério desses incluir a nós e aos nossos “hermanos". E a dieta e os exercícios não foram simplesmente importados de estudos europeus ou norte-americanos. Eles foram adaptados aos alimentos, costumes, recursos e contextos locais.
O estudo não comparou simplesmente um estilo de vida saudável com um com “menos cuidado”, nem quis apenas observar o que costuma estar associado a envelhecer melhor. Os dois grupos receberam orientações de saúde. Mas os resultados sugerem que receber apenas conselhos talvez não seja suficiente para alcançar o mesmo efeito. E não foi um único hábito que fez a diferença, mas a combinação de várias práticas — adaptadas à realidade local e acompanhadas de supervisão e convívio social.
Veja que isso tem tudo a ver com o que a ciência do envelhecimento já vem mostrando há tempos. O cérebro, a saúde cardiovascular, a atividade física, a alimentação, o estímulo cognitivo e a vida social se influenciam mutuamente.
Ah, e embora o estudo tenha sido feito com pessoas mais velhas em risco de declínio cognitivo, os resultados reforçam hábitos que podem beneficiar a saúde do cérebro em todas as idades.
Fonte: The Lancet. Publicado em
Data: 6 de setembro de 2026

Dormir na medida certa pode manter seus órgãos mais jovens por mais tempo
Pesquisadores analisaram quase 500 mil pessoas do UK Biobank3, olhando pra 23 “relógios biológicos” diferentes espalhados por 17 órgãos do corpo, como o cérebro, o coração, os pulmões e o sistema imunológico. Eles queriam verificar como o tempo de sono de cada pessoa se relacionava com a idade biológica desses órgãos.
O padrão encontrado foi em formato de U4: tanto dormir pouco (menos de 6 horas) quanto dormir muito (mais de 8 horas) apareceu ligado a um envelhecimento mais rápido nesses órgãos, e a um risco maior de doenças. A faixa que apareceu como mais protetora foi entre 6h24 e 7h48 por noite.
Eu adorei esse achado. Eu monitoro o meu sono desde 2018. A média de horas que eu passei dormindo, sem contar despertares noturnos , ou seja, dormindo mesmo, de lá até hoje, é de 6h50. É muito raro que eu durma 7 horas por noite. Sempre que lia que o ideal seria dormir 8 horas por noite, eu sabia que aquilo não era tão correto assim. Cada pessoa é diferente, e eu me sinto muitíssimo bem com as minhas quase 7 horas.
Note que os resultados não demonstram que a duração do sono seja a causa dessas diferenças na idade biológica dos órgãos. O estudo mostra apenas uma associação entre o tempo de sono relatado e os relógios biológicos.
Dormir pouco ou muito pode ser consequência, e não causa, de problemas de saúde que também afetam o envelhecimento do organismo, como depressão, dor crônica, apneia do sono, fragilidade, uso de certos medicamentos e outras doenças. E isso também pode alterar os marcadores de envelhecimento.
E, nesta análise, a duração do sono foi autorrelatada pelos participantes do UK Biobank por meio de questionários, e não foi medida diretamente com relógios, anéis inteligentes ou outros dispositivos. O estudo não informa se alguns participantes usaram dados de dispositivos pessoais como referência ao responder.
Fonte: Nature / UK Biobank
Data: 24 de agosto de 2026

LatAm-FINGERS: The Alzheimer's Association-funded study, known as the Latin American Initiative for Lifestyle Intervention to Prevent Cognitive Decline.
A dieta MIND é um padrão alimentar desenvolvido para proteger o cérebro e prevenir o Alzheimer. Ela mistura elementos da dieta Mediterrânea e da dieta DASH (focada em combater a hipertensão).
O UK Biobank é um gigantesco banco de dados biomédico e de saúde de longo prazo no Reino Unido que acompanha meio milhão de voluntários para entender como a genética e o estilo de vida afetam o desenvolvimento de doenças.
Formato de U” significa que os resultados foram piores nas duas pontas, com pouco sono de um lado e sono demais do outro, e melhores no meio. Se colocássemos a duração do sono em um gráfico, a curva teria aproximadamente a forma da letra U.



